A transformação de resíduos em novos materiais de alto desempenho deixou de ser tendência para se tornar exigência em projetos corporativos, esportivos e comerciais. Um exemplo recente vem do programa de reciclagem da marca Havaianas, que passou a reaproveitar sobras e pares descartados na fabricação de novos produtos, incluindo pisos para academias.
O tema ganhou relevância após reportagem publicada pela Folha de S.Paulo mostrar como a economia circular está criando novas aplicações para resíduos de borracha expandida. Entre elas, o desenvolvimento de pisos emborrachados voltados para ambientes de alto tráfego, como academias e centros esportivos.
Mas existe um detalhe técnico importante que ainda recebe pouca atenção no mercado brasileiro: nem todo piso emborrachado atende às exigências de reação ao fogo para ambientes internos com grande circulação de pessoas.
Economia circular aplicada aos revestimentos

O conceito de economia circular busca ampliar o ciclo de vida dos materiais, reduzindo descarte e reaproveitando resíduos como matéria-prima para novos produtos.
No caso das Havaianas, a Alpargatas precisou estruturar uma cadeia específica de logística reversa para reciclar a borracha expandida utilizada nos chinelos.
Segundo a reportagem, quase 500 mil pares já foram reciclados desde o início do programa, lançado em 2020. O material triturado passa a ser utilizado em diversos produtos:
- Pisos para academias;
- Bolsas e acessórios;
- Rodas para carrinhos de mão;
- Bancos e mobiliários;
- Utensílios domésticos;
- Elementos decorativos.
A iniciativa também contribui para a redução de emissões de carbono. Estimativas apontam que a reciclagem mecânica da borracha pode emitir entre 60% e 80% menos CO₂ equivalente em comparação à produção de borracha virgem.
O problema dos pisos emborrachados convencionais
Grande parte dos pisos emborrachados utilizados em academias e playgrounds no Brasil é produzida com SBR (Styrene-Butadiene Rubber), material derivado de pneus reciclados.
Embora amplamente utilizado, o SBR apresenta uma limitação crítica para aplicações internas: muitos produtos não atendem às exigências da classificação de reação ao fogo previstas na:
- NBR 16626;
- Instrução Técnica nº 10/2019 do Corpo de Bombeiros de São Paulo;
- Classificações de propagação superficial de chama e densidade ótica de fumaça.
Isso significa que um piso pode ser adequado para absorção de impacto e ainda assim não ser indicado para ambientes fechados com alta concentração de pessoas.
Segurança contra incêndio: um fator frequentemente negligenciado
Em áreas externas, como playgrounds, o comportamento do material em situação de incêndio tende a ser menos crítico. Porém, em academias, studios fitness, centros esportivos e ambientes indoor, a especificação correta do revestimento passa a ser uma questão de segurança.
É justamente nesse ponto que os pisos produzidos a partir das sobras industriais das Havaianas ganham destaque.
De acordo com o briefing fornecido pela Única Revestimentos, os pisos fabricados com esse material reciclado atendem aos critérios da NBR 16626 e às exigências da IT 10 do Corpo de Bombeiros paulista.
Na prática, isso representa uma vantagem importante para:
- Academias;
- Condomínios;
- Espaços esportivos;
- Centros de treinamento;
- Escolas;
- Ambientes corporativos com áreas fitness.
Sustentabilidade que vai além do marketing
O setor da construção civil e arquitetura vive um momento de transformação. Hoje, especificar materiais sustentáveis não significa apenas utilizar produtos reciclados, mas considerar:
- Segurança;
- Durabilidade;
- Baixa emissão;
- Logística reversa;
- Performance técnica;
- Conformidade normativa.
Nesse cenário, materiais com origem reciclada precisam comprovar desempenho técnico equivalente — ou superior — aos produtos convencionais.
O avanço dos pisos emborrachados produzidos com resíduos industriais mostra como a economia circular pode deixar de ser apenas um discurso ambiental e se tornar uma solução real de engenharia e especificação.
O que avaliar antes de especificar piso emborrachado para academias
Arquitetos, engenheiros e especificadores devem analisar alguns critérios fundamentais antes da escolha do revestimento:
1. Reação ao fogo
Verificar se o produto atende à NBR 16626 e às exigências do Corpo de Bombeiros local.
2. Aplicação interna ou externa
Nem todo piso desenvolvido para playground pode ser utilizado em academias internas.
3. Absorção de impacto
Avaliar o nível de amortecimento conforme o uso do ambiente.
4. Emissão de odores e compostos
Alguns pisos produzidos com pneus reciclados podem apresentar odor intenso ou maior emissão de compostos voláteis.
5. Sustentabilidade real
Entender a origem da matéria-prima e a cadeia de reciclagem envolvida.
A nova geração dos revestimentos sustentáveis
A pressão por construções mais sustentáveis tende a acelerar a adoção de materiais reciclados tecnicamente avançados nos próximos anos.
Programas de logística reversa como o da Havaianas mostram como resíduos antes descartados podem retornar ao mercado em aplicações de maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade de arquitetos e engenheiros em especificar materiais que conciliem:
- Sustentabilidade;
- Segurança normativa;
- Desempenho técnico;
- Conforto de uso;
- Durabilidade.
Nesse contexto, os pisos emborrachados produzidos a partir de resíduos reciclados com certificações adequadas podem representar uma evolução importante para academias e ambientes esportivos contemporâneos.
Onde encontrar pisos emborrachados sustentáveis para academias
A Única Revestimentos trabalha com soluções de pisos emborrachados voltadas para academias, áreas fitness e projetos corporativos, incluindo opções produzidas com resíduos reciclados e materiais alinhados às demandas atuais de sustentabilidade e segurança técnica.
Para arquitetos e especificadores, a recomendação é sempre solicitar:
- Laudos técnicos;
- Classificação de reação ao fogo;
- Certificações;
- Informações sobre origem da matéria-prima;
- Garantias de desempenho do produto.